quarta-feira, 15 de abril de 2009

OS NOVOS DESAFIOS PARA OS ADMINISTRADORES DE RH.

Versus o Espaço da Subjetividade e da Objetividade.

Por Angelo Peres.


Muito se escreve - e já se escreveu - sobre o que distingue um bom gestor de RH, no século XXI. Este profissional, segundo esses diversos autores, deve investir na própria carreira, tem que ter franca habilidade no manuseio e na administração de pessoas com vistas a trabalhar em equipe e, com isto gerar produtividade e lucratividade, ser flexível, idôneo, ter confiança, autocontrole, bom humor, empenho, etc.
Estas exigências, a bem da verdade, não são só dirigidas aos profissionais de RH, muito pelo contrário, são demandas feitas a todos os profissionais que pretendam ter uma carreira sólida e pouco sujeita a contratempos.
A competitividade, no século XXI, trouxe vários desafios para todos os profissionais de uma maneira geral. Porém, para o profissional de RH cabem alguns desafios um tanto diferenciados - e específicos - que devem ser ressaltados:

- Assegurar um ambiente de trabalho seguro e motivador para todos;
- Propiciar um ambiente onde todos entendam que a educação e o conhecimento são as novas premissas do mercado;
- Contribuir com a organização na caça de profissionais talentosos, bem como retê-los;
- Administrar uma estrutura de benefícios – de preferência flexíveis - compatível com a realidade da organização e/ou do mercado que opera;
- Cuidar da cultura organizacional, dos princípios éticos, dos valores, do endomarketing, etc.

Se você acha isto muito, queremos colocar um outro ingrediente que deve ser levado em consideração pelo profissional de RH, bem como deve ser motivo de atenção redobrada: A subjetividade.
Segundo Davel e Vergara (2001), subjetividade é o que permanece subjacente no ser humano. É o que está em seu interior. É a singularidade e a espontaneidade do eu. Portanto é tudo que constitui a individualidade humana.
Assim, o subjetivo é o espaço do trabalhador enquanto experiência humana, bem como é o espaço do simbólico e da cultura. Estes processos simbólicos são impossíveis de serem compreendidos por processos padronizados e/ou objetivos (Rey, 2005).
Para Davel e Vergara (2001), a subjetividade é expressa pelo trabalhador através de seus pensamentos, condutas, emoções e ações no ambiente empresarial. Porém, de uma maneira geral, os gestores de RH negligenciam as questões subjetivas, bem como dão maior ênfase a questões objetivas da gestão de RH. Ou seja, investem em mecanismos que visam racionalizar as relações no trabalho; privilegiam a tecnologia a serviço da gestão; e investem em técnicas, instrumentos e modelos.
No início da chamada Administração de RH (ARH), supunha-se poder influenciar o comportamento dos trabalhadores com vistas a otimizar o funcionamento eficaz e eficiente da firma, através de uma padronização de posturas e comportamentos. Ou seja, a racionalização dos processos produtivos. No século XXI isto ainda persiste. Ou seja, os profissionais de RH prioritariamente investem em:

- Descrição de cargos e salários;
- Gestão participativa por objetivos;
- Avaliação de desempenho;
- Estrutura de cargos e salários;
- Etc.

Com uma única intenção, fornecer às empresas maior estabilidade e aumentar a produtividade. No limite, as estratégias de RH acabam sendo mecanismos capitalistas de intensificação dos processos de trabalho. Ou melhor, evidenciam o resultado financeiro e o marketing através da racionalização do trabalho.
Para finalizar, nós gestores temos que ter a consciência que gerir RH não é só cuidar de técnicas, métodos e instrumentos racionais de trabalho e de controle.
Gerir pessoas é entender que o homem é um ser dotado de desejos, pulsão, expectativas, tem alma e se comunica por meio de palavras e comportamentos (Davel e Vergara, 2001).
Gerir pessoas é entender que o homem é dotado de vida interior e experiências através de sua vida social, religiosa e psíquica, entre outras, bem como é o resultado de “marcas” singulares em sua formação criando crenças e valores compartilhados na dimensão cultural que vão construir a experiência histórica coletiva dos grupos organizacionais (Idem, 2001).

Referências:
DAVEL, Eduardo e VERGARA, Sylvia. (Organizadores) Gestão com Pessoas e Subjetividade. Editora Atlas. São Paulo, 2001.
REY, Fernando G. Pesquisa Qualitativa e Subjetividade: Os processos de construção da informação. Editora Thomson. São Paulo, 2005.

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